O Polo Industrial de Manaus (PIM) acumulou faturamento de R$ 142,98 bilhões entre janeiro e julho de 2026, de acordo com dados divulgados em 21 de setembro pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Convertido para dólares, o resultado alcançou US$ 27,71 bilhões no período.
O desempenho foi acompanhado pela manutenção de um contingente expressivo de trabalhadores. A média mensal de empregos diretos chegou a 131.197 pessoas nos sete primeiros meses do ano. Em julho, considerando empregados efetivos, temporários e terceirizados, o quadro do polo alcançou 132.596 trabalhadores.
Setores concentram o desempenho industrial
Os resultados do Polo Industrial de Manaus foram sustentados por uma estrutura diversificada, embora concentrada em segmentos específicos. Bens de informática, duas rodas, eletroeletrônicos, químico, termoplástico, metalúrgico e mecânico reuniram a maior parte do faturamento acumulado até julho, segundo a Suframa.
Entre os setores com maior crescimento percentual no acumulado do ano, o segmento de brinquedos avançou 46,97%. A fabricação de bebidas registrou expansão de 37,07%, enquanto a produção de termoplásticos cresceu 32,19%. Os números indicam que o desempenho do polo não ficou restrito a uma única cadeia produtiva.
A produção de veículos de duas rodas também se manteve em patamar elevado. Entre janeiro e julho, foram fabricadas 1.359.120 motocicletas, motonetas e ciclomotores. No mesmo intervalo, a produção de telefones celulares chegou a 7.154.014 unidades, reforçando a presença de bens de consumo e de tecnologia na atividade industrial de Manaus.
Emprego e relevância regional
O volume de postos de trabalho coloca o PIM entre os principais núcleos de atividade industrial da Amazônia. A combinação entre faturamento, produção e emprego direto mostra a importância da Zona Franca de Manaus para a economia do Amazonas e para a ocupação industrial de uma região distante dos principais centros manufatureiros do país.
Os dados, no entanto, representam um recorte específico da indústria instalada em Manaus e não devem ser interpretados como retrato integral do setor industrial brasileiro. A dinâmica do polo está ligada à composição das empresas beneficiadas pelo modelo da Zona Franca e à demanda de cadeias como eletrônicos, duas rodas, bens de informática e produtos químicos.
A presença de trabalhadores efetivos, temporários e terceirizados amplia a dimensão do mercado de trabalho associado ao polo. Embora a média mensal considere os empregos diretos, o número registrado em julho inclui essas diferentes modalidades de contratação e oferece uma fotografia mais ampla da força de trabalho mobilizada pelas empresas naquele mês.
Desempenho contrasta com cenário nacional
O resultado do PIM ocorre em um momento de comportamento desigual da indústria brasileira. Conforme o Ministério da Fazenda, com base em dados da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial do país cresceu 0,2% em julho de 2026 na comparação com junho, considerando o ajuste sazonal.
No mesmo indicador, a indústria de transformação avançou 0,5%. Já na comparação com julho de 2025, a produção industrial brasileira recuou 0,5%. O contraste ajuda a delimitar o alcance dos dados do Polo Industrial de Manaus: enquanto o país apresentou crescimento mensal moderado e queda na comparação anual, o polo registrou faturamento acumulado e expansão em determinados segmentos.
A diferença não permite concluir que o PIM esteja isolado das condições econômicas nacionais, mas evidencia que seus resultados dependem também de uma composição setorial própria. A fabricação de motocicletas, celulares, brinquedos, bebidas e produtos termoplásticos segue uma dinâmica particular, com impactos sobre fornecedores, trabalhadores e circulação de renda no Amazonas.
Indústria na Amazônia
Com mais de R$ 142 bilhões faturados até julho e média mensal superior a 131 mil empregos diretos, o Polo Industrial de Manaus mantém relevância econômica e industrial em 2026. O desempenho reúne produção de bens de consumo, componentes e produtos manufaturados em diferentes cadeias, além de destacar a capacidade de geração de postos de trabalho na Amazônia.
Os indicadores divulgados pela Suframa também reforçam a necessidade de acompanhar o polo por seus próprios parâmetros, sem transformar seus resultados em uma medida automática para toda a indústria brasileira. O PIM é, ao mesmo tempo, um centro regional de produção e um recorte particular da estrutura industrial do país.