O tempo improdutivo quase nunca aparece nos relatórios, mas consome uma fatia relevante da jornada de qualquer equipe, frisa o gestor Marcio Velho da Silva. Ele se instala em filas, corredores e correções repetidas, sem alarde e sem dono. Isto posto, três perdas concentram a maior parte do problema: esperas, deslocamentos e retrabalhos.
Cada uma nasce de uma falha diferente de planejamento e exige uma resposta própria. Mapear esses pontos e agir sobre eles libera capacidade sem contratar ninguém. Pensando nisso, a seguir, abordaremos onde cada desperdício se esconde e quais medidas reduzem o tempo perdido na sua rotina.
Onde o tempo improdutivo se esconde nas operações?
Ele se esconde nas transições. Um operador aguarda a liberação de um material, um analista espera uma aprovação, um técnico atravessa o galpão para buscar uma ferramenta. Nenhuma dessas cenas parece grave por si só, porém, somadas ao longo do turno, formam horas sem produção. Como a atividade principal continua ocupada, o custo passa despercebido.
Os retrabalhos escondem-se de forma ainda mais discreta. De acordo com Marcio Velho da Silva, uma etapa concluída com informação incompleta volta para correção, ocupa novamente o tempo de quem já tinha terminado e atrasa quem aguarda o resultado. O custo dobra sem que nenhum indicador registre a repetição, o que dificulta cobrar melhoria de um problema que ninguém enxerga.
Assim sendo, o erro mais comum é medir apenas a produtividade das pessoas e ignorar o fluxo do trabalho. Um profissional pode estar ocupado o dia inteiro e, ainda assim, entregar pouco, porque o processo o obriga a esperar, procurar informações e refazer etapas. Por isso, o foco da análise deve sair do indivíduo e recair sobre o percurso do trabalho.
Como atacar esperas, deslocamentos e retrabalhos?
Segundo o gestor Marcio Velho da Silva, cada perda pede uma medida específica, e tratar as três da mesma forma dilui o esforço. Dessa maneira, o ponto de partida é observar o processo real, com cronômetro e caminhada, em vez de confiar no fluxo desenhado no papel. Depois, cada desperdício recebe uma resposta direta, conforme os pontos a seguir:
- Esperas: sincronize etapas e libere aprovações por regras claras, para que ninguém aguarde uma decisão que poderia ser automática;
- Deslocamentos: reorganize o layout e aproxime materiais, ferramentas e equipes de quem os utiliza com mais frequência;
- Retrabalhos: padronize instruções e crie verificações na origem do erro, em vez de corrigir defeitos ao final.

Essas ações funcionam melhor em conjunto, pois uma espera eliminada pode revelar um deslocamento antes escondido. Logo, o ganho mais duradouro vem de corrigir a causa do desperdício, e não de pressionar a equipe para compensá-lo com mais velocidade. Velocidade sobre um processo falho apenas acelera a perda.
Como medir o tempo improdutivo e priorizar as correções?
Sem medição, a discussão vira opinião, destaca Marcio Velho da Silva. Portanto, comece registrando, por uma ou duas semanas, quanto tempo cada etapa consome e quanto desse total agrega valor ao cliente. Classifique o restante em espera, movimento ou correção. Esse levantamento simples transforma uma percepção vaga de lentidão em números comparáveis entre setores, turnos e equipes.
Com os dados em mãos, priorize pelo impacto e pela facilidade de correção. Uma espera recorrente que se resolve com um ajuste de horário merece ação imediata, enquanto uma mudança de layout exige planejamento maior. Assim, a equipe colhe resultados rápidos, ganha confiança no método e sustenta a disciplina necessária para atacar os desperdícios mais profundos.
Como ressalta o gestor Marcio Velho da Silva, o acompanhamento precisa ser contínuo, e não pontual. Indicadores revisados toda semana mostram se as melhorias se mantêm ou se os antigos hábitos retornam. Desse modo, quando o gestor discute esses números com a equipe, o tempo improdutivo deixa de ser uma cobrança e vira um problema compartilhado, com solução construída por quem executa a rotina.
Cada hora recuperada devolve capacidade às operações
Em última análise, reduzir o tempo improdutivo não exige investimento alto nem grandes reestruturações. Exige olhar atento para esperas, deslocamentos e retrabalhos, além de métodos para medir e priorizar. Até porque toda operação já possui horas escondidas na própria jornada, e cabe à gestão ter a disciplina de encontrá-las.