A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou em 21 de setembro de 2026 que a intenção de investimento da indústria brasileira recuou para 51,3 pontos em setembro. Em agosto, o indicador estava em 52,6 pontos. O resultado representa o menor nível desde agosto de 2020, período marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19.
A queda foi a quarta consecutiva desde maio e ocorre em um ambiente de perda de ritmo da atividade industrial. Embora o índice permaneça acima da linha de 50 pontos, que separa perspectivas de aumento e redução, a sequência de recuos sinaliza maior cautela dos empresários em relação à realização de novos aportes.
O movimento afeta decisões relacionadas à ampliação da capacidade produtiva, à compra de máquinas e equipamentos e à modernização das operações. A redução da intenção de investir também aparece acompanhada por expectativas menos favoráveis para a demanda, as exportações, o emprego e a aquisição de insumos no setor industrial.
Produção e emprego também mostram perda de ritmo
Os dados da CNI indicam que o índice de evolução da produção industrial caiu de 51 pontos em julho para 46,3 pontos em agosto. O resultado de agosto ficou abaixo de 50 pontos, apontando retração da produção no período analisado. A utilização da capacidade instalada também recuou, atingindo 69%.
O índice de evolução do emprego ficou em 48,2 pontos. Assim como ocorreu com a produção, o indicador permaneceu abaixo da linha de 50 pontos, sinalizando redução no número de empregados da indústria. O quadro reforça a percepção de que as empresas estão adotando uma postura mais contida diante das condições atuais de atividade.
Nas expectativas para os meses seguintes, os indicadores relativos à quantidade exportada e ao número de empregados também ficaram abaixo de 50 pontos. Isso representa perspectivas de retração nesses dois componentes e acrescenta pressão sobre as decisões de investimento, especialmente em empresas dependentes do mercado externo ou de uma recuperação mais firme da demanda doméstica.
Cenário econômico reduz previsões para 2026
O resultado da sondagem ocorre enquanto as projeções oficiais para a economia brasileira foram revisadas para baixo. Em 22 de setembro, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda informou que reduziu de 2,3% para 2% a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
Segundo o Ministério da Fazenda, a revisão incorporou, entre outros fatores, a redução das estimativas para a indústria de transformação. O órgão destacou a influência do custo do crédito e da demanda por bens de consumo sobre essa projeção. Para 2027, a estimativa informada foi de crescimento de 2,3% do PIB.
A combinação entre crédito mais caro, demanda menos aquecida e expectativas negativas para alguns indicadores industriais pode levar empresas a reavaliar o ritmo de execução de seus projetos. A cautela não significa necessariamente a interrupção de todos os investimentos, mas indica menor disposição para ampliar compromissos em um cenário de incerteza sobre vendas e produção.
Atividade industrial teve avanço limitado em julho
Os dados mais recentes da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também apontam crescimento limitado da atividade. De acordo com o Ministério da Fazenda, a produção industrial avançou 0,2% em julho de 2026 na comparação com junho.
Na comparação com julho de 2025, porém, a produção recuou 0,5%. O desempenho da indústria de transformação foi ainda mais fraco nessa base de comparação, com queda de 1,1%. Os números ajudam a contextualizar a redução da confiança e da intenção de investimento observada na pesquisa da CNI.
Para a indústria brasileira, a retomada dos aportes dependerá da evolução da demanda, das condições de financiamento e da capacidade de recuperação da produção. Enquanto esses fatores permanecerem pressionados, os indicadores de investimento devem continuar refletindo uma postura mais prudente por parte dos empresários.