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Os erros mais comuns no planejamento de sucessão patrimonial, na ótica de Rodrigo Gonçalves Pimentel 

Diego Velázquez Por Diego Velázquez 6 Min de leitura Julho 15, 2026
Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel
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O planejamento de sucessão patrimonial ainda é marcado por erros que se repetem entre famílias empresárias de diferentes portes, muitas vezes por falta de informação sobre os riscos envolvidos. Rodrigo Gonçalves Pimentel, advogado, examina os equívocos mais recorrentes nesse processo, que costumam comprometer a eficácia do planejamento mesmo quando a intenção da família é agir de forma preventiva.

Contents
Por que os mesmos erros se repetem entre famílias diferentes?Divisão de bens sem critério técnicoIgnorar aspectos tributários é sempre um erro?Escolha de instrumentos jurídicos inadequadosHerdeiros despreparados para administrar o patrimônio recebidoComo identificar e corrigir esses erros a tempo?

Por que os mesmos erros se repetem entre famílias diferentes?

Grande parte dos erros cometidos no planejamento sucessório decorre da tendência de tratar o tema como assunto desconfortável, adiado até que circunstâncias externas, como, por exemplo, problemas de saúde do titular do patrimônio, tornem a discussão inevitável. Famílias que discutem sucessão apenas sob pressão tendem a agir de forma reativa, sem tempo hábil para avaliar alternativas com calma. Esse padrão se repete independentemente do volume de patrimônio envolvido, atingindo tanto famílias de grande porte quanto negócios familiares menores. Em muitos casos, o adiamento decorre menos da complexidade técnica do tema e mais do desconforto emocional de discutir partilha de bens e liderança futura enquanto o fundador ainda está à frente do negócio.

Divisão de bens sem critério técnico

Um dos erros mais recorrentes é a divisão de bens entre herdeiros baseada exclusivamente em critérios de igualdade numérica, sem considerar a natureza de cada ativo ou sua relação com a operação do negócio. Rodrigo Gonçalves Pimentel frisa que dividir participações societárias da mesma forma que se dividem bens pessoais, sem levar em conta o funcionamento da empresa, costuma gerar impasses entre herdeiros que passam a compartilhar decisões sobre um negócio que nem todos compreendem ou desejam administrar. Esse tipo de divisão, embora pareça justa em um primeiro momento, frequentemente cria as condições para conflitos futuros.

Rodrigo Gonçalves Pimentel
Rodrigo Gonçalves Pimentel

Ignorar aspectos tributários é sempre um erro?

A resposta é sim, ainda que o impacto varie conforme o volume e a natureza do patrimônio envolvido. Decisões sucessórias tomadas sem análise tributária prévia costumam gerar custos evitáveis, seja pela escolha do instrumento jurídico inadequado, seja pela ausência de planejamento sobre o momento ideal para realizar transferências patrimoniais. Famílias que buscam orientação especializada apenas após a ocorrência do fato gerador do tributo perdem a oportunidade de estruturar a sucessão de forma mais eficiente do ponto de vista fiscal.

Escolha de instrumentos jurídicos inadequados

Outro erro recorrente está na escolha de instrumentos jurídicos que não correspondem ao perfil patrimonial ou aos objetivos da família. Rodrigo Gonçalves Pimentel aponta que testamentos genéricos, doações realizadas sem cláusulas de proteção adequadas e holdings constituídas sem planejamento societário consistente figuram entre as falhas mais comuns observadas na prática. Cada instrumento cumpre função específica, e sua aplicação fora de contexto tende a gerar resultado oposto ao pretendido, comprometendo justamente a segurança que o planejamento deveria proporcionar. Famílias que copiam modelos de contrato utilizados por outras empresas, sem adaptação à própria realidade patrimonial, costumam descobrir a inadequação da estrutura apenas quando ela já precisa ser testada em um cenário concreto de sucessão.

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Herdeiros despreparados para administrar o patrimônio recebido

A ausência de preparo dos herdeiros para lidar com o patrimônio recebido representa outro erro frequente, muitas vezes negligenciado durante o planejamento sucessório. Transferir bens e participações societárias sem qualquer preparação prévia sobre sua gestão tende a gerar decisões precipitadas, especialmente quando os herdeiros não possuem experiência prévia em temas financeiros ou societários. Esse despreparo se manifesta com mais intensidade quando o patrimônio inclui participação ativa na operação de um negócio, exigindo conhecimento técnico que não se adquire de forma instantânea.

Rodrigo Gonçalves Pimentel elucida que a comunicação insuficiente entre gerações sobre a composição e os objetivos do patrimônio familiar também contribui para o despreparo dos herdeiros. Quando decisões sucessórias são tomadas de forma isolada, sem envolver progressivamente os futuros responsáveis pelo patrimônio, cria-se um cenário no qual a transição efetiva encontra resistência ou dificuldade prática de execução.

Como identificar e corrigir esses erros a tempo?

Identificar esses erros exige revisão periódica do planejamento sucessório, e não apenas sua elaboração pontual em um único momento da vida familiar. Famílias que tratam a sucessão como processo contínuo, sujeito a ajustes conforme mudanças na composição do patrimônio, na legislação ou na estrutura familiar, tendem a corrigir falhas antes que se tornem determinantes. A revisão constante também permite incorporar novos instrumentos jurídicos e adaptar critérios de divisão à realidade concreta da família, e não apenas a modelos genéricos aplicados sem adaptação. Empresas que estabelecem um calendário formal de revisão, com periodicidade definida e responsáveis claramente designados, tendem a identificar lacunas no planejamento com mais agilidade do que aquelas que tratam a sucessão como assunto encerrado após a primeira estruturação.

Na leitura do advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, a maior parte dos problemas enfrentados por famílias durante a sucessão patrimonial poderia ser evitada com planejamento antecipado, revisão periódica e comunicação clara entre gerações sobre os objetivos e a composição dos bens envolvidos. O reconhecimento desses erros recorrentes, mais do que motivo de alarme, funciona como ponto de partida para famílias que buscam conduzir sua sucessão de forma mais segura e estruturada.

 

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